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Juiz manda bombas de cabo ao STJ e destaca busca da verdade real em MT
Magistrado ainda avisa que sentença será dada em breve aos militares
Publicado em: 06/08/2018 ás 13:16:00 Autor: Folha Max Fonte: Folha Max
Foto Por: Divulgação

O juiz da 11ª Vara da Justiça Militar de Cuiabá, Murilo Moura Mesquita, determinou o envio do depoimento do cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Corrêa Júnior, ao ministro do Superior Tribunal de Justiça, Mauro Campbell Marques. A medida atende a um pedido do Ministério Público do Estado em razão de um inquérito que tramita na Corte Superior e que apura a suposta participação do governador Pedro Taques (PSDB) no esquema de interceptações telefônicas ilegais contra adversários políticos, conhecido como “Grampolândia Pantaneira”.

 

A decisão foi publicada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso nesta segunda-feira (6). Gerson Côrrea é apontado como um dos operadores do “Sentinela” – apelido dado ao sistema de grampos,

 

Em depoimento à 11ª Vara no dia 28 de julho de 2018 relacionou o governador e seu primo, o ex-secretário-Chefe da Casa Civil, Paulo Taques, às escutas ilegais acusando-os de serem os donos do suposto esquema. “Ademais, havendo conexão entre o presente feito e o inquérito policial, avocado pelo STJ, defiro o pleito do Ministério Público para determinar a remessa de cópia da mídia digital contendo o interrogatório do réu CB PM Gerson Luiz Ferreira Correa Junior, a ser dirigido ao Ministro Mauro Campbell”, diz trecho da publicação.

 

Além do STJ, o juiz também determinou o envio do depoimento aos delegados da Polícia Judiciária Civil (PJC), Flávio Stringueta e Ana Cristina Feldner. Ambos presidiam inquéritos no órgão no período em que o caso, que também envolve civis, era conduzido no Tribunal de Justiça pelo desembargador Orlando Perri, em outubro de 2017.

 

Na época, o ministro Mauro Campbell Marques reivindicou o processo ao STJ pelo fato de envolver autoridades com prerrogativa de foro, no caso o próprio governador Pedro Taques. “Da mesma forma, atendendo à postulação ministerial e em busca da verdade real, solicite-se à mencionada autoridade o envio de cópia do depoimento prestado pelo CB PM Gerson Luiz Ferreira Correa Junior aos Delegados Flávio Stringueta e Ana Cristina Feldner”, diz outro trecho da decisão.

 

Gerson Corrêa disse revelou à Justiça que o motivo dele prestar o depoimento, bem como o fato de ter ficado 10 meses preso entre meados de 2017 e o início de 2018, foi o governador Pedro Taques, segundo ele, o principal beneficiado com as interceptações. Entre os fatos narrados por ele está um almoço ocorrido ainda em 2014 – antes das eleições daquele ano que elegeram Taques.

 

O primo do Chefe Do Poder Executivo, Paulo Taques, um dos presentes ao encontro, deixou claro que as escutas teriam caráter “político” e lhe teria entregue R$ 50 mil em dinheiro vivo para implantar o esquema. Jornalistas, advogados, políticos e até uma amante de Paulo Taques foram grampeados.

 

TORNOZELEIRA E SENTENÇA RÁPIDA

 

Na mesma decisão, o juiz Murilo Moura Mesquita negou a retirada da tornozeleira eletrônica do coronel PM Ronelson Jorge de Barros, que também chegou a ser preso em 2017 e que hoje cumpre medidas cautelares. O oficial da PM alegou que com o fim da instrução processual – a fase de colheita de depoimentos e produção de provas numa ação -, não haveria justificativa para a utilização do dispositivo.

 

O magistrado, no entanto, explicou que os motivos que levaram Ronelson à prisão, e seu posterior relaxamento, ainda permanecem. “Neste sentido, considerando a extrema complexidade do caso em análise, necessária é a superação da fase de destinada ao cumprimento de eventuais diligências e o efetivo julgamento do feito, até porque a finalização da instrução não alterou os fundamentos que ensejaram a imposição das medidas cautelares”, disse Murilo Mesquita.

 

O juiz também sinalizou que o julgamento do caso – que envolve ainda o coronel PM e ex-Comandante-Geral da Corporação no Estado, Zaqueu Barbosa, o também coronel PM e ex-Secretário-Chefe da Casa Militar, Evandro Lesco, o tenente-coronel PM Januário Edwiges Batista, além do próprio Gerson Côrrea -, não “tardará”. “A conclusão ocorrerá por ocasião do julgamento do caso, fase processual que não tardará e que é adequada à ponderação da imputação contida na inicial em face dos elementos de prova colhidos durante a instrução processual”, disse.

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