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Polícia: ex-Sesp tem poder de intimidar e personalidade violenta
Força-tarefa chegou a pedir a prisão de Rogers Jarbas, mas juiz decidiu impor medidas cautelares
Publicado em: 19/11/2019 ás 08:06:00 Autor: Mídia News Fonte: Mídia News
Foto Por: Mídia News

A força-tarefa da Polícia Civil designada para investigar a chamada "grampolândia pantaneira" apontou que o ex-secretário de Segurança Pública, delegado aposentado Rogers Elizandro Jarbas, age para "perseguir, ameaçar e intimidar" as pessoas envolvidas nas investigações contra ele.

 

A força-tarefa ainda afirma que o ex-secretário detém "considerável poder de intimidação e personalidade violenta contra qualquer pessoa e até mesmo autoridades que exerçam seus ofícios de investigá-lo".

 

O grupo de investigação, que é comandado pelas delegadas Ana Cristina Feldner e Jannira Laranjera, chegou a pedir a prisão preventiva do delegado aposentado em razão das supostas tentativas de embaraço às investigações. As delegadas afirmaram que Jarbas atuou ao menos 24 vezes para tentar embaraçar as investigações desde que o caso veio à tona, em maio de 2017.

 

Apenas entre maio e outubro deste ano - desde que as investigações retomaram às mãos da Polícia Civil após decisão do Superior Tribunal de Justiça -, o delegado teria agido uma vez a cada 11 dias para atrapalhar os trabalhos da Polícia Civil, conforme relatório policial.

As acusações constam no pedido de prisão, que foi encaminhado ao juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da Sétima Vara Criminal, no dia 22 de outubro.

 

O magistrado, no entanto, acatou parcialmente o pedido e determinou na última semana que cautelares fossem impostas a Jarbas, como a colocação de tornozeleira eletrônica. O dispositivo foi instalado na tarde desta segunda-feira (18).

 

No pedido, as delegadas enumeraram as manobras realizadas por Jarbas para intimidar, atrapalhar e constranger as investigações.

 

Cooptação de Scatolon

 

Um dos episódios citados é a suspeita de tentativa de cooptação do delegado Rafael Scatolon, que chegou a integrar a força-tarefa da "grampolândia pantaneira", mas acabou deixando o caso.

 

"Verifica-se inicialmente que há notícias (inclusive veiculadas na imprensa) de que o delegado seria próximo de Gustavo Garcia, o qual faz o primeiro contato visando o recrutamento. Vale ressaltar que em conversa com o delegado Rafael Scatolon, o mesmo informou que após começar a jogar futebol na Amdepol [Associação Mato-grossense de Delegados de Polícia], o suspeito Rogers Jarbas também começou a frequentar, tendo então Rafael parado de frequentar os jogos", consta no pedido.

 

"Ocorre que, em recente notícia publicada na imprensa, Rafael foi fotografado em situação descontraída com Rogers Jarbas. Sabemos que a foto ocorreu após o afastamento de Scatolon das investigações, porém sua importância para a organização criminosa ainda é grande, pois o mesmo teve acesso a todas as provas colhida, bem como as estratégias para investigação".

 

Reputação de Feldner

 

Um outro movimento considerado intimidatório pelas delegadas ocorreu em maio deste ano. Naquele mês, Rogers entregou a um veículo da imprensa um documento com ataques à vida íntima da delegada Ana Cristina Feldner. O fato ocorreu dias após a Polícia Civil anunciar o nome da delegada como integrante da força tarefa.

 

"Um site local publica uma matéria na qual Rogers ataca a reputação da delegada Ana Cristina Feldner, enquanto mulher, insinuando sobre supostos fatos íntimos e privados. Curioso é que o site nos forneceu cópia de todo material entregue e o mesmo encontra-se assinado apenas por Rogers, sem conter assinatura de algum advogado e com data de 2017", diz a representação enviada ao juiz.

 

Retardando investigações

 

O documento ainda relata como os diversos atos de Rogers conseguiram atrapalhar as investigações do caso. As delegadas relatam que, devido a esse comportamento, ao menos seis inquéritos foram abertos contra o ex-Sesp.

 

"Este comportamento de tumultuar e retardar as investigações já havia sido detectado como o modo de agir da organização criminosa desde 2017, inclusive resultou na instauração de mais de seis inquéritos policiais, todos denominados como inquéritos filhos, instaurados para apurar as tentativas de obstrução".

 

"Ou seja, deveriamos investigar apenas o inquérito central, denominado 'inquérito mãe' no qual apura a estrutura e funcionamento da organização criminosa e as interceptações ilegais, porém após a instauração do mesmo, há mais de seis inquéritos instaurados! Todos em razão das tentativas de obstrução a Justiça".

 

Telefonema para a assessoria

 

Em outro ponto, o documento relata o episódio em que a Polícia Civil emitiu uma nota divgulgando os nomes dos policiais que iriam compor a investigação a respeito dos grampos. Isso também teria irritado o delegado.

 

"Porém o investigado Rogers Jarbas sequer aceita uma nota emitida pela Polícia Civil e em mais um ato afrontoso entra em contato com a coordenadora da Assessoria de Comunicação e bastante alterado a interpela. Neste telefonema, o suspeito Rogers Jarbas ainda faz ameaças", relata das delegadas.

 

Neste trecho, a representação reproduz o depoimento da então coordenadora de comunicação, cujo nome não é citado: "Que a depoente afirmou que de fato havia sido feito o convite e que havia sido emitida uma nota no site da Polícia Civil; que então Rogers ficou indignado, vez que a diretoria havia cogitado o nome dos delegados; que Rogers ficou de certa forma furioso e disse que a Polícia Civil vai pagar pos isso".

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