Fonte: RD News
Escrito por: RD News
Ex-namorada denuncia ex-juiz Stábile por ameaça e ele rebate: ficou com meu carro
Desta vez, Stábile foi denunciado pela Lei Maria da Penha e tem cinco dias para apresentar uma justificativa.
Caso contrário, pode retornar para cadeia.
A Justiça de Mato Grosso determinou que o ex-desembargador Evandro Stábile, de 62 anos, explique mais uma denúncia envolvendo o nome dele. Desta vez, Stábile foi denunciado pela Lei Maria da Penha e tem cinco dias para apresentar uma justificativa. Caso contrário, pode retornar para cadeia. A decisão é do juiz de Execução, Leonardo de Campos Costa e Silva Pitaluga, após tomar conhecimento de mais uma queixa crime.
Ocorre que a ex-namorada do ex-desembargador registrou um boletim de ocorrência em abril por injúria e ameaça. Segundo a vítima, de 38 anos, eles namoraram por aproximadamente 1 ano. Porém, o relacionamento terminou em 10 de abril deste ano e, após isso, Stábile começou a importuná-la e a ameaçá-la. A mulher não especificou os tipos de ameaças proferidas pelo ex-desembargador.
Por outro lado, Stábile relata que a ex-namorada emprestou um carro, VW T Cross, em fevereiro deste ano, porque a mesma realizou uma cirurgia e o veículo é automático. Com o término, ele pediu o Cross de volta e, como ela não o devolveu, enviou uma mensagem via WhatsAapp pedindo o carro de volta. Por conta disso é que ela teria o denunciado.
O ex-desembargador destaca que o carro está em nome da empresa dele. Explica ainda que pela vítima ser uma policial civil foi orientada por delegado a denunciá-lo por violência doméstica.
O ex-desembargador detalha ainda que tinha um “relacionamento de namoro” com a servidora e que, após o término, a vítima vinha tentando se beneficiar financeiramente, uma vez que a mesma teria praticado “estelionato sentimental”. Este tipo de crime ocorre quando uma das partes se aproveita da condição financeira da outra. Segundo ele, a ex fez empréstimo e usou cartão de crédito para fazer cirurgia plástica, além de se apropriar do carro. “Fiz todas essas gentilezas devido a promessa de um relacionamento amoroso duradouro e a constituição de uma nova família”, alegou.
Diante da situação, a Juíza da Primeira Vara Criminal de Tangará da Serra, Edna Ederli Coutinho, aplicou medidas protetivas de urgência em favor da vítima. “As medidas protetivas de urgência, por sua própria denominação, pressupõem situação de conhecimento imediato, risco atual ou iminente agressão”, diz a decisão.
O ex-desembargador ficou proibido de se aproximar no limite de 300 metros da vítima, da família dela e das testemunhas por qualquer meio de comunicação. E que não frequente a residência da vítima, com o intuito de preservar a sua integridade física e psicológica.
“Estas medidas começam a valer desde a intimação do autor do fato e perdurarão pelo prazo de seis meses”, diz.
Stábile é um velho conhecido da Justiça por venda de sentença. O ex-desembargador foi alvo da Operação Asafe, da Polícia Federal. A condenação foi dada pelo STJ em outubro de 2015 e resultou em pena de seis anos de prisão.
Agora o juiz de Execuções intimou a defesa de Stábile a se pronunciar sobre essa nova denúncia.
A reportagem do procurou a defesa de Stabile, mas esta, por sua vez, informou que não irá se pronunciar.
Sentenças
Segundo o Ministério Público Federal, Stábile teria vendido sentenças em 13 casos investigados pelo órgão, entre os quais está a manutenção da segunda colocada na campanha eleitoral de Alto Paraguai na época, Diane Alves de Souza, no comando da prefeitura, em troca de R$ 100 mil. O Tribunal de Justiça aposentou Stábile compulsoriamente em 2016, quando começou a receber aposentadoria.
Ele ficou preso entre abril e agosto daquele ano por causa da mudança de entendimento de que condenados em segunda instância deveriam passar a cumprir pena na época. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) deu liberdade provisória ao desembargador aposentado.
Stábile voltou a ficar preso no Centro de Custódia da Capital (CCC) em setembro de 2018 por nova decisão de execução da pena dada pelo STJ. A progressão do regime fechado para o semiaberto veio em 19 de maio de 2019. No total, ficou em regime fechado por cerca de um ano.